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fevereiro 22, 2021

“Bolsonaro se sente desconfortável ao defender especulador”, diz Jean-Paul Prates sobre Petrobras

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A guerra instalada no governo por causa da política neoliberal de atrelar o preço do combustível vendido pela Petrobras ao mercado internacional explode nas mãos de Jair Bolsonaro (Sem partido), que vive em meio à batalha de manter as altas consecutivas de preços, agradando o mercado e implodindo a popularidade de vez, ou interferir na estatal, que dinamita todo o discurso ensaiado com o ministro Paulo Guedes junto ao sistema financeiro, que ainda suporta o protofascismo ao acreditar nos dividendos que ainda pode receber.

Mestre em Economia de Petróleo e Motores pelo Instituto Francês do Petróleo, o senador Jean-Paul Prates (PT-RN) afirma que o próprio Bolsonaro – um ignorante confesso em economia – se sente desconfortável em defender uma política de preços que privilegia especuladores e agentes do mercado interessados no fatiamento da empresa para compra, por exemplo, da rede estratégica de refinarias para distribuição do combustível no Brasil.

Para Jean-Paul, a demissão de Roberto Castello Branco da presidência da Petrobras, o que o mercado vê como uma “interferência violenta” do governo, é uma prerrogativa do presidente.

“É uma prerrogativa dele. E eu acredito que nem o Bolsonaro acredita na política de preços que ele impõe ao país. Ele, como militar de baixa patente, com discurso pretensamente nacionalista, provavelmente se sente muito desconfortável em defender o especulador, o importador eventual, a trading, o camarada que está especulando para comprar a refinaria da Petrobras”, disse o senador à Fórum.

Jean-Paul acredita que é nesse “desconforto” que existe uma “oportunidade de conseguirmos ao menos uma meia trava nesse processo [de desmonte da estatal], que é avassalador”.

O senador ainda afirma que já existe uma interferência na Petrobras, mas uma interferência que atende especificamente os interesses privatistas neoliberais.

“Existe, sim, interferência do governo na Petrobras, mas é uma interferência para o mal, quando pensamos naqueles que querem o bem para o país. Qual é a interferência que está existindo hoje? É no sentido de forçar a empresa a vender refinarias, deixar que ela opere a meia bomba para que o concorrente possa entrar”, diz ele, salientando que muitas refinarias da empresa hoje operam com 60% da carga.

Para o economista e cientista social, William Nozaki, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp), Bolsonaro tomará qualquer decisão em relação à empresa pensando única e exclusivamente na questão política, para acomodar o centrão.

“Bolsonaro sinaliza que prefere mexer nos impostos e na presidência da Petrobras, mas não na política de preços da companhia. Ao reduzir impostos ele reforça sua perspectiva de Estado mínimo e populismo de direita, ao sinalizar que pode fazer mudanças na presidência da empresa ele abre espaço para acomodar as novas demandas do centrão. Ele não está agindo contra os interesses finacistas e rentistas, está sim tentando acomodar esses interesse à chegada do centrão”, afirma Nozaki.

Impostos
Jean-Paul esclarece que o alto preço dos combustíveis não está relacionado aos impostos, que são os mesmos há 10 anos, mas à política de paridade praticada pela atual diretoria da Petrobras, que transformou um país autossuficiente em petróleo em uma nação dependente dos humores do mercado.

“De nada adianta abrir mão de impostos, subsidiar a queima de combustível fóssil – uma atitude inédita, nenhum país abre mão de imposto sobre combustíveis fósseis. O Brasil faz isso numa tentativa infrutífera de baixar o preço para o consumidor. O que vão fazer? Vão se apropriar da margem [de lucro] e na porta da refinaria vai prevalecer a paridade internacional, que é o problema de origem – porque imposto é uma alíquota em cima do preço base. O preço base que está variando, não a alíquota, que é a mesma há 10 anos”, diz o senador.

O petista diz que Bolsonaro conseguiu a façanha de equiparar o Brasil, que tem autossuficiência tanto na extração do petróleo quanto no refino, em uma “ilha da Polinésia”.

“O preço que interessa ao importador eventual – para cobrir falhas de abastecimento, que não existem no Brasil – é o que se impõe ao consumidor, como se não tivéssemos petróleo e nenhuma refinaria. Estamos vivendo um cenário de uma ilha isolada da Polinésia, uma Tuvalu, por exemplo”, diz.

Na mesma linha, Nozaki só vê solução para a alta consecutiva dos combustíveis com a mudança da política da Petrobras.

“Em um cenário de pandemia e recessão o aumento do preço dos combustíveis encarece o consumo e o investimento prejudicando ainda mais a economia. A solução definitiva para essa onda de elevações no preço dos combustíveis passa pela mudança na política de preços da Petrobras, que atrelou o preço do barril no mercado financeiro ao preço dos combustíveis no posto”, diz o professor da Fespsp.

O petista diz que Bolsonaro conseguiu a façanha de equiparar o Brasil, que tem autossuficiência tanto na extração do petróleo quanto no refino, em uma “ilha da Polinésia”.

“O preço que interessa ao importador eventual – para cobrir falhas de abastecimento, que não existem no Brasil – é o que se impõe ao consumidor, como se não tivéssemos petróleo e nenhuma refinaria. Estamos vivendo um cenário de uma ilha isolada da Polinésia, uma Tuvalu, por exemplo”, diz.

Na mesma linha, Nozaki só vê solução para a alta consecutiva dos combustíveis com a mudança da política da Petrobras.

“Em um cenário de pandemia e recessão o aumento do preço dos combustíveis encarece o consumo e o investimento prejudicando ainda mais a economia. A solução definitiva para essa onda de elevações no preço dos combustíveis passa pela mudança na política de preços da Petrobras, que atrelou o preço do barril no mercado financeiro ao preço dos combustíveis no posto”, diz o professor da Fespsp.

Fonte: Revista Fórum

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