dezembro 20, 2021

Quem é Gabriel Boric, político de esquerda eleito presidente do Chile

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Gabriel Boric durante discurso em Valparaíso, em 18 de novembro de 2021 — Foto: Martin Bernetti / AFP

O presidente eleito do Chile, Gabriel Boric, é um ex-líder estudantil de 35 anos que fez sua campanha calcada no discurso da "esperança" e defendendo representar o anseio por mudanças, com a promessa de fortalecer um estado de bem-estar social no país.

"Representamos o processo de mudança e transformação que se aproxima, (mas) com certeza, com a gradação necessária", disse certa vez, durante a campanha, com a intenção de afastar o temor de que sua eleição poderia significar o início de um período de caos.

Boric tem, como ele define, "um farol que ilumina uma ilha deserta" tatuado em seu braço esquerdo e relaxa com a leitura, mas sua vida real é a de um ativista de esquerda. Foi em sua cidade natal de Punta Arenas (sul), às margens do Estreito de Magalhães, onde este político começou a sonhar com este modelo de bem-estar para o seu país.


Boric disputou a presidência do Chile com a idade mínima exigida e foi o mais novo dos sete candidatos na disputa pela sucessão do conservador Sebastián Piñera. Ele será o mais jovem mandatário chileno da história. Sua candidatura representa a coalizão "Aprovo Dignidade", que reúne a Frente Ampla e o Partido Comunista.

Sua maior crítica à democracia após a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) é ter continuado com o modelo econômico liberal que deixou uma classe média e baixa endividada para pagar a educação, a saúde e a previdência privada.

Muitos simpatizantes e críticos o viram crescer como líder político desde 2011, quando comandou protestos estudantis por uma educação gratuita, em um dos países com a educação mais cara do mundo.

"Nossa geração irrompeu na política em 2011, livrando-se um pouco dos medos que a ditadura havia gerado e dos pactos da transição", disse.

Sua fala se referia ao regime militar de Pinochet (1973-1990) e à "Concertación", a coalizão de centro-esquerda que, desde 1990, governou boa parte dos 31 anos de democracia, e hoje jaz desintegrada, desprestigiada como reflexo da crise de confiança institucional.

Na reta final da corrida eleitoral, o jovem candidato trocou a imagem de universitário rebelde pela de um 'aluno comportado', coerente com o tom moderado e negociador desta nova fase.

À sua época como dirigente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile, há 10 anos, ele atribui o início dos questionamentos a um modelo que era importante "contestar para tornar o Chile um país mais justo", disse.
Naquela época, a democracia chilena tinha apenas 20 anos e os estudantes passaram a questionar "o modelo de desenvolvimento, questionar por que aquilo que acreditávamos que deveriam ser direitos sociais estavam privatizados; por que a educação era um privilégio e não um direito, por que havia saúde para os ricos e não para os pobres, por que as aposentadorias se transformaram em um negócio", afirmou.
Durante a agitação social que abalou o Chile em outubro de 2019, Boric teve papel protagonista ao firmar o acordo político - do qual se retirou o Partido Comunista, que o hoje o apoia - para convocar um plebiscito para reformar a Constituição herdada da ditadura.

Os críticos de Boric reprovam sua inexperiência, sua aliança com o Partido Comunista, sua falta de título universitário, apesar de ter concluído a faculdade de direito, e também suas mudanças de postura.

Nesse sentido, seus adversários na corrida presidencial desenterraram tuíte de Boric saudando Nicolás Maduro como novo presidente da Venezuela, após a morte de Hugo Chávez em março de 2013. Porém, durante a campanha, o jovem candidato fez questão de condenar esse regime, e de reprovar os cumprimentos de um líder comunista chileno à recente vitória de Daniel Ortega na Nicarágua.

"Em nosso governo, o compromisso com a democracia e os direitos humanos será total, sem apoio a nenhum tipo de ditadura e autocracia, doa a quem doer" escreveu em suas redes sociais recentemente.

Entre seus simpatizantes estão artistas famosos como o cineasta Pablo Larraín, diretor de "No" (2012) e "Jackie" (2016), filho do ministro da Justiça do governo Piñera e cuja família está na chamada elite de direita.

Fonte: G1

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