março 25, 2022

Nicolle Costa, conhecida como ´´A Triliónaria`` é um marco na diversidade do esporte Apodiense

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Foto: reprodução instagram

Nicolle Costa se destaca de longe. Irreverente, ganha fácil o público que acompanha o handebol na arquibancada. Dona de si, conquistou junto à equipe UNIVAP, de Apodi, não só títulos pelo esporte amador, como também um espaço de luta e de grito pela diversidade dentro do esporte. Em 2021, esteve com a equipe também em Mossoró, jogando pela primeira vez os tradicionais jogos de Santa Luzia, primeira vez na história que, por sinal, o evento católico abre espaços para atletas trans.

No seu primeiro contato com a quadra, ficou a lembrança dos dias de visibilidade e também um desabafo sobre tudo que viveu:

"Esse final de semana foram dias de visibilidade no Handebol feminino em Apodi. Falar sobre Transgêneros no Esporte é sempre uma grande polêmica. Isso mesmo, todos pararam para ver NICOLLE COSTA jogar pela equipe de Handebol feminino de Apodi- RN UNIVAP. (Equipe esta que me acolheu de braços abertos). Após anos de luta, esses dias pude realizar um grande sonho de vida. Não foi fácil, enfrentar preconceitos, ver atos desumanos, e ainda ter forças para lutar. (Vi até vídeos de atos preconceituosos que não me senti bem). Enfrentar uma mudança de nome, e um tratamento hormonal, lutar contra seu próprio organismo, não é para qualquer uma. Enfrento dias difíceis, mas nada que me possa fazer desistir. Como todos vocês sabem, NUNCA ME SENTI PERTENCER AO SEXO MASCULINO", disse.

Ela nos conta sua história no projeto Março Para Elas.

1- Quando começou a praticar handebol? Além desse esporte, também pratica outros?
Desde menino jogo handebol. Vim jogar em um time feminino no último ano. Além do handebol, faço academia e também luto box. Tudo começou em janeiro que foi a primeira competição no Rio Grande do Norte e foi onde começou tudo. De eu ir atrás dos meus direitos.


2- Como vê o crescimento do esporte e também a participação das mulheres? Há preconceito ainda?
Sim, ainda há muito preconceito. Muitas mulheres dentro de quadra como também torcidas masculinas que ficam do lado de fora, julgando, pedindo para elas jogarem como homens, porque estão "jogando contra um homem". Até preconceito da minha própria classe que diz que tenho mais força que mulheres.

3- E como uma mulher trans, como se sente em meio a tudo isso? Sente abertura das pessoas? Como "convocar" mais pessoas trans para o ambiente do esporte?

Já foi chamada por outros times para jogar, mas não tem abertura. No século 21, ainda temos uma mentalidade muito antiga. É muito complicado. Mas temos a lei, sou legalizada, tenho todas as documentações e eles não podem fazer nada, vão ter que me aceitar.

4- Há resistência na participação de homens e mulheres trans no esporte da região?
Como também sou digital influencer e que eu comecei a postar tudo sobre os nossos direitos, na nossa cidade apareceu um índice muito grande de procura por outras modalidades por pessoas trans e também tenho amigas que começaram no esporte por minha causa.

5- O que pretende dentro da equipe?
Pretendo ajudar a equipe, crescer o nome, unir, e também quebrar tabus e que hoje em dia todo mundo tem seus direitos, seja como mulher ou como mulher trans. Quero que minha equipe seja uma pauta do handebol, como foi a primeira equipe a ter uma trans e estou ali para ajudar.

7- Qual o recado que dá a outras mulheres?
Sejam mais acolhedoras as mulheres trans. Que a mulher não fique para baixo porque vai jogar com uma trans. Nunca desista dos seus sonhos como mulher, como mulher trans e nunca desrespeite a sua própria amiga da equipe e participante da outra equipe.

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