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março 03, 2021

Após Carnaval, RN registra 212 óbitos e 10 mil casos de Covid-19

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Número de leitos críticos de Covid ocupados está acima de 80% desde 18 de fevereiro- Foto: Ney Douglas/Agora RN

O Rio Grande do Norte registrou 212 óbitos e 10.749 novos casos confirmados nas últimas semanas, período após o Carnaval. O aumento de casos se reflete também no número de internações, já que a taxa de ocupação de leitos críticos Covid se mantém acima de 80% desde o último dia 18. Em 16 de fevereiro, eram 188 pacientes internados em leitos críticos no sistema público de saúde em todo o estado. Nesta terça-feira 2, o número de internados chegou a 270 às 17h, segundo a plataforma Regula RN.

De acordo com os dados epidemiológicos da Secretaria Estadual da Saúde Pública (Sesap) de 16 de fevereiro, publicados no boletim do dia seguinte, os casos confirmados de Covid-19 eram 157.422 e os óbitos eram 3.424. Segundo o boletim desta terça 2, com dados do dia 1º, os casos confirmados subiram para 168.171. Ou seja, um aumento de 10.749. Já os óbitos chegaram a 3.636. Houve, portanto, um aumento de 212 mortes.

Mesmo que o Estado e os municípios potiguares tenham proibido a realização de festas e eventos nos quatro dias em que, geralmente, são comemorados o Carnaval, diversas aglomerações clandestinas foram registradas pelos órgãos de fiscalização. Em festas privadas ou em praias, cerca de 50 ocorrências foram atendidas pela Polícia Militar em todo o RN.

Segundo o médico infectologista Alexandre Motta, o período foi significativo para o colapso no sistema de saúde público e privado do estado. “Todos os períodos comemorativos que se seguiram do fim do ano passado para cá colaboraram muito, especialmente as festas de fim de ano e o Carnaval. As pessoas cansaram de ficar em casa e de não ter esperança pelo fim da pandemia. Os dias de Carnaval registraram diversas festas causando aglomerações, além das praias lotadas. Tudo isso, quando somado, nos leva a esse cenário que infelizmente vemos agora”.

Além das festividades de Carnaval, novas variantes da Covid-19 que chegaram ao RN impactam no crescimento da curva de infecções. No dia 20 de fevereiro, o Instituto de Medicina Tropical, da UFRN, confirmou a circulação de da variante P.1, inicialmente identificada em Manaus (AM), e a P.2, registrada no Rio de Janeiro (RJ).

A linhagem encontrada em Manaus, por exemplo, tem o dobro de carga viral se comparada às demais, conforme sugere um estudo realizado pelo Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia). Isso quer dizer que há uma maior presença do vírus no trato respiratório e, portanto, as chances de alguém contaminado por essa variante transmitir o vírus para outras pessoas é maior.

A taxa de ocupação na rede pública de saúde do RN chegou a 90,91% na tarde desta terça-feira 2, às 17h, e 13 hospitais operavam com 100% da capacidade. Atualmente, as quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPA) de Natal, que atendem casos de urgência e emergência de Covid-19, estão todas lotadas e transferindo pacientes para outros hospitais todos os dias.

39 pacientes morreram à espera de leitos Covid, dia LAIS

De acordo com o relatório “Rio Grande do Norte: uma nova onda”, divulgado pelo Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da UFRN (LAIS), no mês de fevereiro, entre os dias 12 e 28, 39 pacientes perderam a vida antes de serem transferidos para um leito de UTI Covid. Destes, 23 eram pacientes da Grande Natal.

Conforme o documento, antes do Carnaval, houve aumento gradual dos pedidos por internações em leitos de UTI nos hospitais do Rio Grande do Norte que atuam no tratamento da Covid-19. A situação se agravou durante e uma semana após o Carnaval, com um aumento de 48% nas solicitações de internação, segundo o LAIS.

No mesmo período, dos pedidos por internações em leitos de UTI Covid, pelo menos 43 solicitações foram canceladas por impossibilidade de transporte, ou não havia transporte suficiente para a demanda. Do total de 43 cancelamentos por falta de transportes, a Região Metropolitana sozinha foi responsável por 65% e Natal por 46% dos cancelamentos.

O documento também apontou que, até o dia 28 de fevereiro, existiam 485 pacientes internados com Covid-19 em todo o Estado. Desses, 251 estavam internados em leitos de UTI, ou seja, mais de 50% das ocupações eram de pacientes considerados graves.

Os resultados obtidos pelo LAIS também apontaram que, diante da pressão por leitos Covid-19 em todo o RN, especialmente pela Região Metropolitana de Natal, que está “exportando” pacientes para outras regiões, a rede assistencial do Estado pode entrar em colapso, caso nada seja feito.

Recomendações do LAIS
O LAIS finaliza o relatório com recomendações específicas para o momento crítico da pandemia. Entre elas, está a sugestão de aumentar a frota de ônibus para 100%, particularmente a de Natal, uma vez que todas as atividades econômicas estão funcionando.

Conforme o documento, o transporte de massa pode ser um grave vetor de transmissão, sobretudo quando está funcionando de forma reduzida. Caso a frota de ônibus não retorne aos 100%, será necessário reduzir as atividades comerciais e deixar por até 21 dias somente os serviços essenciais funcionando, conforme indicado pelo relatório.

Outra orientação é para que o poder público não recomende à população nenhum tipo de medicamento que não tenha aprovação pela Anvisa para uso específico contra a Covid-19. Esse tipo de promoção, segundo o LAIS, pode passar a ilusão para sociedade de que as pessoas estão imunizadas, quando ainda não há evidências científicas para isso.


Fonte: Agora RN

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