Com oposição dispersa, Fátima pavimenta reeleição ao Governo do RN em 2022

Por Apodi Agora - janeiro 16, 2021

Governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT). Foto: José Aldenir/ Agora RN

Faltando menos de dois anos para as próximas eleições, a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), “nada de braçada”, na avaliação de analistas políticos. Considerando o cenário atual, a petista caminha para uma reeleição tranquila em 2022.

Dois dos nomes que se desenhariam como “fortes” oponentes na disputa, os ministros bolsonaristas Fábio Faria (PSD) e Rogério Marinho estariam mais interessados em disputar uma vaga no Senado do que propriamente disputar a cadeira hoje ocupada pela petista. Para analistas, faltam postulantes de peso, até o momento, para enfrentar a governadora – que tem a administração avaliada positivamente por parcela significativa de potiguares, apontam as pesquisas.

Conforme esses analistas, o governo Fátima tem cumprido com todas as obrigações impostas ao governo potiguar, o que fica nítido quando se faz paralelo, por exemplo, com o governo anterior, do ex-governador Robinson Faria (pai de Fábio Faria).

Diferentemente do antecessor, a petista paga em dia fornecedores e funcionários públicos, contas que Robinson não pagou, o que chega a se tornar proeza quando se leva em consideração que o Estado está quase em estado de insolvência e não sobra recursos para investimentos. Aliás, o primeiro ato de Fátima foi decretar situação de calamidade financeira logo após assumir em 1º de janeiro de 2019.

Neste sentido, tem especial repercussão positiva para a governadora o pagamento dos salários atrasados dos servidores. Parte das folhas salariais herdadas da administração de Robinson Faria já foram quitadas e as duas que ainda estão em aberto começaram a ser pagas no fim desta semana. Profissionais da segurança pública que recebem até R$ 3,5 mil receberam o 13º salário de 2018 nesta sexta-feira 15.

Uma das fontes ouvidas pela reportagem acrescenta que Fátima se destaca por ser “uma governadora simples, que controla o Estado e centraliza as funções estatais na própria Governadoria”, em contraposição ao governo anterior, que era composto por “ilhas e que tinha um governador que tomava café nos shoppings”.

“Fátima governa mesmo, tem uma equipe boa. Tributação e Planejamento são destaques. Ela tem feito um bom governo. Agora, claro, tem a discriminação de quem não gosta do PT, mas é preciso dar o crédito ao governo, porque faz…”, enfatiza um analista.

ÁLVARO DIAS
Apesar do que é ventilado nos bastidores, o prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB), não estaria disposto a ser candidato a governador, afirma um analista. Com uma atuação bem avaliada no enfrentamento da pandemia – o que foi fundamental para a reeleição do tucano em Natal – Álvaro até poderia representar uma ameaça a Fátima, mas ele tem reafirmado que não renunciará em 2022 para disputar o cargo de governador.

Além disso, o prefeito de Natal teria como principal meta eleger o filho, Adjuto Dias, para deputado estadual, algo que ele não conseguiu em 2018, quando Adjuto ficou na suplência. Adjuto, a propósito, foi nomeado secretário de Trabalho e Assistência Social da Prefeitura de Natal esta semana, cargo considerado “uma Ferrari” quando o assunto é construção de candidatura.

O trabalho de Álvaro Dias nos bastidores seria no sentido de convencer o atual presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira de Souza (PSDB), seu colega de partido, a disputar o governo, de modo que, Adjuto eleito deputado estadual, disputaria a presidência da Assembleia, cargo já ocupado por Álvaro durante o governo Garibaldi Filho.

No entanto, existiria uma resistência atual da parte de Ezequiel a disputar cargo majoritário, talvez preferindo permanecer como presidente do Poder Legislativo.

STYVENSON VALENTIM
Suposto pré-candidato azarão, correndo por fora, o senador Styvenson Valentim (Podemos), que teve pré-candidatura lançada, seria uma incógnita, pelo fato de que sua candidatura só depende de si mesmo, tendo em vista que é presidente de partido.

Político antissistema, entretanto, Styvenson tem acumulado desgaste por não estar conseguindo entregar para o Rio Grande do Norte as verbas e obras que os senadores mais tradicionais (leia-se José Agripino e Garibaldi Filho) conseguiam viabilizar para o Estado.

“Ele tem sido apático nesse sentido, mas é um postulante forte até pela musculatura que construiu nas urnas, algo que Fátima e os demais postulantes ao governo não podem descuidar”, diz um analista.

JAIR BOLSONARO
Na avaliação desses observadores da cena política potiguar, o presidente Jair Bolsonaro desfruta, momentaneamente, de força significativa no eleitorado norte-rio-grandense, algo como 20% a 30% de apoio do eleitorado. No entanto, a má gestão presidencial frente à pandemia da Covid-19 poderá pesar negativamente na viabilidade dos candidatos dele no Estado em 2022.

“O cenário de Bolsonaro na pandemia é muito ruim. Vejamos a situação do Amazonas, onde a inoperância do governo é muito forte, batendo cabeça com o governo estadual, sem ação, com pessoas morrendo aos montes. Se Bolsonaro não mudar a gestão da Covid, vai chegar muito fraco em 2022. Veja que Álvaro foi eleito no primeiro turno por imagem de grande gestão que teve na Covid. O povo reconheceu”, finalizou.

Fonte: Agora RN

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